No ar mais uma edição pirada do nosso Boletim. Uma curadoria humana trazendo os assuntos que mais nos fascinaram no final de novembro. Esperamos que gostem :)
Peças perdidas de Bach são tocadas pela primeira vez em 320 anos 🎼
Onde? BBC 📰
Quando? 17/11/2025 📅Duas peças para órgão até então desconhecidas de Johann Sebastian Bach — Chaconne em ré menor (BWV 1178) e Chaconne em sol menor (BWV 1179) — foram apresentadas e executadas pela primeira vez em 320 anos, após um longo trabalho de autenticação. Identificadas inicialmente em 1992 pelo musicólogo Peter Wollny em manuscritos da Biblioteca Real da Bélgica, as obras foram confirmadas como de Bach após três décadas de pesquisa e agora integram oficialmente o catálogo do compositor.
As peças, provavelmente compostas por volta de 1705, no início da carreira de Bach como professor de órgão em Arnstadt. A execução foi realizada pelo organista Tonn Koopman na Igreja de São Tomás, em Leipzig, onde Bach trabalhou e está enterrado.
A Nike anuncia o primeiro calçado motorizado do mundo para ajudar as pessoas a caminhar mais rápido e por mais tempo 👟
Onde? My Modern Met 📰
Quando? 17/11/2025 📅A Nike anunciou o Project Amplify, descrito como o primeiro sistema de calçado motorizado do mundo para caminhar e correr, desenvolvido em parceria com a empresa de tecnologia biônica Dephy. O acessório funciona como uma segunda panturrilha, usando motor e bateria recarregável no tornozelo para amplificar o movimento natural da perna e do tornozelo, permitindo ir mais longe e com menos esforço. O sistema se integra a um tênis comum e pode ser usado com ou sem a estrutura motorizada.
Diferente de outras inovações voltadas à elite esportiva, o Project Amplify foi pensado para pessoas comuns, especialmente quem caminha ou corre devagar. Testado com 400 usuários de diferentes níveis, o projeto se inspira no impacto das bicicletas elétricas, buscando tornar o movimento diário mais acessível, prazeroso e frequente. Será que a ideia vai pegar?
Retrato de Gustav Klimt é vendido por US$ 236,4 milhões, tornando-se a segunda obra de arte mais cara já vendida em leilão 💰
Onde? The Guardian 📰
Quando? 19/11/2025 📅Um retrato de Gustav Klimt, Portrait of Elisabeth Lederer (1914–16), foi vendido por US$ 236,4 milhões em Nova York, tornando-se a segunda obra mais cara já vendida em leilão e a mais cara do modernismo. A pintura, saqueada pelos nazistas, quase destruída na Segunda Guerra e devolvida à família em 1948, passou por várias mãos até integrar a coleção do herdeiro da Estée Lauder, Leonard A. Lauder, falecido em junho. O leilão teve disputa entre seis licitantes por cerca de 20 minutos.
A venda superou as expectativas e representou mais de 40% do valor total da coleção de Lauder, que arrecadou US$ 575,5 milhões. O resultado quebrou o recorde anterior de Klimt em leilão (US$ 108 milhões, em 2023). O recorde absoluto de segue com Salvator Mundi, de Leonardo da Vinci, vendido por US$ 450,3 milhões em 2017.
Esta peça recrutou atores com anorexia. Isso é ético? 🤔
Onde? The New York Times 📰
Quando? 19/11/2025 📅Um teatro suíço gerou controvérsia ao convidar pessoas com anorexia para atuar em Jeanne Dark, peça que reinterpreta a psicologia de Joana d’Arc. Psicólogos criticaram a iniciativa como eticamente arriscada, temendo a glamourização do transtorno e possíveis prejuízos à saúde dos participantes. Especialistas alertaram para o risco de estigmatização, enquanto a direção afirmou ter buscado sensibilidade e apoio profissional.
Para algumas intérpretes, porém, a experiência foi empoderadora. Janine Rickenbach, que convive com anorexia há décadas, disse que subir ao palco a ajudou a afirmar que “não é a doença, mas alguém que tem uma doença”. A diretora, Lies Pauwels, argumentou que pessoas com anorexia poderiam oferecer insights únicos sobre temas como controle e incompreensão, centrais à figura de Joana. O debate expôs tensões persistentes entre liberdade artística, e representação responsável, com reações do público divididas após a estreia.
Seu filho consegue pintar como Pollock? Um novo estudo sugere que sim 🎨
Onde? Artnet 📰
Quando? 20/11/2025 📅Um novo estudo sugere que crianças conseguem imitar Jackson Pollock melhor do que adultos, ao menos do ponto de vista físico. Pesquisadores analisaram pinturas feitas por crianças de 4 a 6 anos e adultos jovens em um experimento no qual todos respingavam tinta no chão, à maneira de Pollock. Usando análises matemáticas de fractalidade e lacunaridade — técnicas já aplicadas para autenticar obras do artista —, os cientistas descobriram que os trabalhos das crianças apresentavam padrões mais simples e agrupados, enquanto os dos adultos eram mais densos e complexos.
Curiosamente, os valores de uma obra icônica de Pollock, Number 14 (1948), ficaram mais próximos dos resultados infantis do que dos adultos. A hipótese é que Pollock, que teria problemas de equilíbrio e coordenação desde o nascimento, produzia movimentos corporais mais próximos aos de uma criança do que aos de um adulto plenamente estável.
Ovelhas gays fazem sua estreia na alta moda 🐑
Onde? Hyperallergic 📰
Quando? 20/11/2025 📅Uma coleção de moda inusitada tomou Nova York: a I Wool Survive trouxe peças feitas com lã do que é chamado de o primeiro rebanho de ovelhas gays do mundo, resgatadas na Alemanha por Michael Stücke, fundador da Rainbow Wool. Em parceria com o Grindr e o designer Michael Schmidt, o desfile exibiu 36 looks fantasiosos de lã de carneiros que demonstram orientação sexual por outros machos, um comportamento estimado em cerca de 8% dos carneiros.
Além do impacto visual e do humor, o projeto carrega uma mensagem política: denunciar a eliminação desses animais por não se reproduzirem e traçar um paralelo com o preconceito contra pessoas LGBTQ+. As peças serão leiloadas para beneficiar causas LGBTQ+, e o público pode patrocinar um carneiro, ajudando a manter o rebanho. Para Stücke, a coleção reforça que “ser gay faz parte da natureza”.
O novo álbum do Bon Iver inspira um novo e radiante tom da Pantone 🍣
Onde? Artnet 📰
Quando? 21/11/2025 📅O quinto álbum do Bon Iver, intitulado SABLE, fABLE, marcou uma virada emocional para Justin Vernon para um tom mais luminoso, centrado em amor e renovação. Essa mudança ganhou forma visual em um novo tom criado em parceria com a Pantone, batizado de fABLE Salmon, um salmão suave e radiante que envolve a capa do disco e atravessa clipes, merchandising e identidade gráfica do projeto.
Para Vernon, a cor simboliza humanidade e recomeço: a pele por baixo da pele, a vida depois da escuridão. O tom foi cuidadosamente ajustado para não pender demais ao vermelho, laranja ou amarelo, mantendo-se aberto e emocional. A colaboração se desdobra agora em produtos oficiais da Pantone, assumindo sem pudor o diálogo entre música, design e marca.
Como Shaboozey conquistou o coração dos fãs da música country 🤠
Onde? The New York Times 📰
Quando? 22/11/2025 📅O sucesso de Shaboozey ajuda a explicar por que tantos artistas pop estão se aproximando do country. Ex-rapper, filho de imigrantes nigerianos e criado na Virgínia, ele encontrou no country um espaço onde autenticidade e estilo de vida importam mais do que fórmulas. Seu hit A Bar Song (Tipsy) ficou 19 semanas no topo da Billboard, e o álbum Where I’ve Been, Isn’t Where I’m Going o consolidou como um nome central do gênero, mesmo vindo de fora. Para ele, country e hip-hop funcionam como gêneros de identidade e vivência, o que facilita a migração de rappers e torna mais difícil a entrada de artistas pop tradicionais.
A trajetória de Shaboozey também reflete um momento maior: o country se tornou dominante em streaming, moda e cultura pop global, atraindo nomes como Beyoncé e Post Malone. Ainda assim, o cantor reconhece tensões e barreiras simbólicas no gênero, sentindo-se às vezes de fora olhando para dentro. Sua força está justamente em transformar essa diferença em linguagem própria, inspirando novos públicos e expandindo o imaginário do country.
Por que aquela batida de bateria de Whitney Houston é tão viciante — e tão difícil de reproduzir 🥁
Onde? The New York Times 📰
Quando? 23/11/2025 📅A famosa batida de bateria antes do último refrão de I Will Always Love You, de Whitney Houston, virou um desafio viral nas redes sociais: acertar exatamente o momento do boom é muito mais difícil do que parece. O fenômeno, conhecido como Whitney Houston drum challenge, conquistou milhões de visualizações e revelou como até ouvidos experientes se confundem.
Segundo especialistas, a dificuldade está na combinação de fatores: uma pausa longa e carregada de emoção, variações sutis de tempo, o fato de a batida cair entre os tempos musicais e o reverb (gravado, curiosamente, no banheiro do estúdio). David Foster, produtor da canção, admite que o momento é estranhamente ilógico, mas justamente por isso inesquecível.
Arte de idoso decola após neta viralizar suas pinturas no TikTok 📈
Onde? BBC 📰
Quando? 23/11/2025 📅O britânico Robert Rose, de 92 anos, viu a vida mudar quando a neta publicou no TikTok um vídeo dele pintando em um ateliê improvisado durante a pandemia. Autodidata, ele retomou a pintura no isolamento da Covid-19 para “manter a sanidade” e acabou criando cerca de 50 paisagens inspiradas em suas caminhadas. O vídeo viralizou e transformou um hobby discreto em sucesso inesperado.
Hoje, Rose pinta sobretudo cenas rurais e costeiras em acrílico. A fama tardia rendeu uma exposição local, um título honorário e a venda em feiras. Para ele, o reconhecimento é divertido, mas o mais importante é seguir ativo: pintar “mantém o cérebro funcionando”.












