Após uma semaninha prolongada pulando carnaval, o Boletim já está no ar! E em uma edição muito especial para nós. São 27 edições produzindo a nossa curadoria inquieta e humana. Para celebrar esse marco, estamos preparando uma novidade que será divulgada em breve.
Seguimos firmes no propósito de conectar vocês ao que está acontecendo de mais instigante no mundo criativo. Obrigado por estarem com a gente nessa jornada.
Por que não escrevemos mais cartas de amor? 💌
Onde? The New Statesman 📰
Quando? 01/02/2026 📅A exposição Love Letters, no The National Archives, em Londres, reúne mais de 500 anos de cartas que expressam diferentes formas de amor. Entre os destaques estão a suposta carta de Napoleão Bonaparte para Joséphine de Beauharnais e a petição de Lord Alfred Douglas à rainha pedindo a libertação de Oscar Wilde.
A mostra também aborda cartas ligadas a relações homoafetivas, revelando os códigos usados para que pessoas LGBTQIA+ se encontrassem com segurança. Outros exemplos incluem cartas familiares, como a de Jane Austen deixando seus bens à irmã. Em uma era de mensagens rápidas e superficiais, talvez a escrita de cartas seja uma forma mais profunda de conexão.
A política indomável do glitter ✨
Onde? Hyperallergic 📰
Quando? 06/02/2026 📅O glitter carrega uma história política nas artes visuais. Criado nos Estados Unidos nos anos 1930 a partir de resíduos industriais, o material passou de enfeite kitsch a ferramenta estética. Um exemplo é Andy Warhol, que explorou seu efeito relacionando ao consumo de massa.
Ligado a pessoas LGBTQIA+, performers drag, mulheres e comunidades racializadas, o material por vezes é apontado como frívolo. Já na arte contemporânea, não faltam casos de artistas que o empregam como ferramenta de afirmação. Thomas Lanigan-Schmidt usa glitter em composições espirituais e camp. Quil Lemons aplica brilho em retratos para tensionar masculinidades negras. E Ebony G. Patterson incorpora superfícies cintilantes para discutir raça e poder.
Pequeno esboço de um pé, feito por Michelangelo, é vendido por mais de US$ 27 milhões 🦶
Onde? CNN 📰
Quando? 06/02/2026 📅Um estudo em giz vermelho de Michelangelo, representando um pé com o calcanhar levemente erguido, foi vendido por US$ 27,2 milhões. Identificado como preparação para o teto da Capela Sistina, o desenho corresponde ao pé da Sibila Líbia e tornou-se a obra mais cara do artista já vendida em leilão.
A atribuição veio após meses de análise e consenso entre especialistas. Como poucos esboços do artista sobreviveram, o estudo oferece um raro vislumbre de seu processo criativo. A obra permaneceu por mais de 200 anos com a mesma família europeia, e o comprador não foi divulgado.
A festa acaba quando Charli XCX decide que acabou 🪩
Onde? The New York Times 📰
Quando? 07/02/2026 📅A era Brat levou Charli XCX ao mainstream, consolidando a persona de party girl que agora ela tenta tensionar. No Festival Sundance de Cinema, onde estreou o filme The Moment, produzido pela A24, a expectativa pelo seu after-party foi tão alta quanto a recepção do longa. Na trama, Charli interpreta uma versão exagerada de si mesma, pressionada a suavizar a própria imagem, discutindo autenticidade e mercado.
Aos 33 anos, ela reconhece o risco de virar caricatura da estética que criou, mas prefere confrontá-la a abandoná-la. A artista trata o filme como fechamento simbólico da fase Brat, mesmo sabendo que a industria prefere prolongar sucessos.
O intervalo do Super Bowl é o maior palco do mundo. Ele o projeta 🏟️
Onde? The New York Times 📰
Quando? 07/02/2026 📅Bruce Rodgers é o diretor de cenografia por trás do show do intervalo do Super Bowl há 20 anos e já transformou ideias de artistas como Kendrick Lamar, Lady Gaga e Dr. Dre em espetáculos vistos por mais de 100 milhões de pessoas. Foi dele a decisão de manter Prince praticamente sozinho sob a chuva em 2007, criando uma imagem icônica, e também a ideia de suspender Rihanna em plataformas aéreas em 2023 para proteger o gramado do estádio.
Arquitetura, teatro e engenharia se combinam em seu trabalho, que exige soluções rápidas e inovadoras sob enorme pressão. O público sempre espera um espetáculo memorável, e ele se recusa a entregar algo pela metade.
2016 foi o fim da monocultura. Não é à toa que todo mundo quer voltar 🔄
Onde? Rolling Stone 📰
Quando? 08/02/2026 📅A nostalgia por 2016 marcou o início de 2026, com usuários revisitando fotos antigas. Na música, aquele foi um ano em que discos como The Life of Pablo, de Kanye West, Blonde, de Frank Ocean, Anti, de Rihanna, e Views, de Drake pareciam pertencer a um mesmo zeitgeist pop compartilhado. Ao mesmo tempo, o crescimento do Spotify consolidava o streaming, fragmentando a experiência coletiva em nichos algorítmicos e marcando a transição entre superestrelas dominantes e microcelebridades digitais.
Há quem diga que aquele ano representa o fim de uma monocultura. Uma época anterior à dispersão acelerada por redes sociais, pandemia e polarização política. Um momento em que a cultura parecia partilhada.
Pintado à mão, um filme em stop-motion presta homenagem a um lar de infância perdido 🏠
Onde? Colossal 📰
Quando? 10/02/2026 📅A antiga casa de infância do norte-americano Jason Mitcham foi desapropriada em 2011 para a ampliação de uma rodovia. Anos depois, no lugar do bairro restavam apenas asfalto e vestígios de garagens e celeiros. Para preservar a memória desse espaço, o artista criou Ever Behind the Sunset, um filme em stop-motion inteiramente pintado à mão, que combina telas expressivas com áudios da mãe e vídeos caseiros dos anos 1980.
Com pinceladas espessas e gestuais, as pinturas se sucedem como lembranças enevoadas. O filme também ecoa uma sequência de rupturas: a falência do negócio da família após a crise de 2008, a morte dos pais e a transformação irreversível da vizinhança. O resultado é uma tentativa de reconstruir, pela pintura em movimento, aquilo que se perdeu.
As pessoas comuns que tornaram o show de intervalo de Bad Bunny autêntico 🇵🇷
Onde? The New York Times 📰
Quando? 10/02/2026 📅No show do intervalo do Super Bowl, Bad Bunny transformou o estádio em um retrato vibrante de Porto Rico com a participação de mais de 700 pessoas comuns. Entre elas estavam Lincoln Fox Ramadan, de 5 anos, que recebeu o Grammy das mãos de Benito. Figurantes vestidos como arbustos recriaram um canavial. Toñita, dona de um tradicional clube porto-riquenho em Nova York, apareceu servindo uma dose ao cantor em uma réplica de seu bar.
Também participaram o pastor Antonio Reyes, que celebrou um casamento diante de 70 mil pessoas. Victor Villa, dono da taqueria Villa’s Tacos, representou os trabalhadores latinos.
Irlanda pagará aos artistas uma renda básica em um programa pioneiro 🇮🇪
Onde? CNN 📰
Quando? 12/02/2026 📅O governo da Irlanda está implementando um programa-piloto que remunerará 2 mil artistas por três anos, permitindo que eles se concentrem em sua produção criativa, mantendo um padrão de vida adequado. Cada selecionado receberá €325 por semana.
Qualquer tipo de artista, de escritores, artistas visuais e atores a músicos, maquiadores e diretores, será elegível para se inscrever. A ideia é incentivar a permanência dos profissionais na industria criativa e valorizar o lugar que as artes têm na cultura irlandesa.
Como a pipoca dominou o cinema 🍿
Onde? The Wall Street Journal 📰
Quando? 13/02/2026 📅Cinema com pipoca é uma combinação que nem sempre existiu. Antes rejeitada nos cinemas luxuosos por ser barulhenta e popular demais, foi durante a Grande Depressão, quando os exibidores dos Estados Unidos precisaram encontrar uma fonte rápida de lucro diante da queda de público, que a pipoca ganhou espaço nas salas.
Barata de produzir e bastante lucrativa, tornou-se uma solução para os cinemas, já que os estúdios ficam com grande parte da bilheteria. Hoje, alimentos e bebidas garantem parcela decisiva da receita. Com o avanço do streaming, o setor reforça a estratégia com baldes colecionáveis e experiências gastronômicas para impulsionar vendas.











