Direto para você, mais um Boletim. Nesta edição, reunimos os conteúdos mais pirados dos primeiros quinze dias de maio.
A disputa pelo retorno de um dinossauro ao Brasil 🦖
Onde? Deutsche Welle 📰
Quando? 05/05/2025 📅O crânio de um dinossauro foi retirado ilegalmente do Brasil e comprado em 1991 pelo Museu Estatal de História Natural de Stuttgart. O Irritator challengeri era carnívoro, tinha cerca de 6,5 metros e viveu há 113 milhões de anos na Chapada do Araripe, no Ceará. Após anos de pressão científica, uma carta de 268 pesquisadores e uma petição com mais de 34 mil assinaturas, os governos do Brasil e da Alemanha anunciaram a disposição do museu em devolver o fóssil.
Além da disputa jurídica, o caso expõe o que os pesquisadores chamam de colonialismo paleontológico. Nessa dinâmica, o reconhecimento acadêmico, os recursos financeiros e os benefícios culturais acabam se concentrando em poucos países, longe do local de origem. Só na Alemanha há pelo menos 90 fósseis brasileiros retirados sem autorização.
NASA divulga mais de 12 mil fotos da missão Artemis II 👨🚀
Onde? Colossal 📰
Quando? 06/05/2025 📅A NASA disponibilizou mais de 12.000 fotos da missão Artemis II. As imagens foram registradas pelos astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen durante o voo de aproximadamente 400.000 km ao redor da Lua. Os equipamentos usados foram câmeras Nikon e um iPhone 17. Apesar de muitas fotos serem parecidas entre si ou levemente desfocadas, o conjunto transmite a sensação de estar ao lado dos astronautas enquanto eles contemplavam a Terra e a Lua.
Como era a vida de Mozart? 🎼
Onde? Hiperallergic 📰
Quando? 11/05/2025 📅Wolfgang Amadeus Mozart tinha um lado bastante irreverente. Isso aparece nas correspondências que trocava com a família. Um exemplo são as cartas para a prima Maria Anna Thekla, chamada por ele de Bäsle (que significa algo como priminha), mostram um compositor escatológico e debochado. Eram tão obscenas que foram censuradas nos séculos XIX e XX.
Mas nem tudo era brincadeira. Sua carreira musical iniciou cedo, com composições feitas ainda na infância. Mais tarde, uma carta da época o descrevia como um “compositor freelancer”, o que dá a medida de como atuava fora dos circuitos tradicionais de mecenato. O compositor também não parecia gostar muito de sua cidade natal. “Salzburgo não é lugar para o meu talento”, escreveu certa vez. A ironia é que foi justamente ele quem transformou a cidade em um destino musical mundial.
Os meticulosos desenhos em caneta esferográfica que investigam as profundezas da emoção 🖊️
Onde? Colossal 📰
Quando? 11/05/2025 📅Habib Hajallie é um artista britânico, de herança serra-leonesa e libanesa, que cria desenhos detalhados em caneta esferográfica sobre páginas de textos filosóficos e históricos antigos. Sua obra trata de memória e perda, e homenageia figuras da cultura negra e seus familiares.
Em sua série mais recente, Hajallie aborda o luto pela morte da irmã e pelo nascimento de uma filha natimorta. São retratos e autorretratos que registram desespero, confusão, dormência e as emoções sutis que surgem entre esses estados. Ao desenhar sobre textos de moralidade e transcendência, ele põe a dor pessoal em contato com textos que tentam dar conta dela.
Na Bienal de Veneza, todos estão fazendo fila para os banheiros 🚽
Onde? CNN 📰
Quando? 11/05/2025 📅A 61ª edição da Bienal de Veneza abriu cercada de polêmicas. A volta da Rússia, ausente nas duas edições anteriores por causa da guerra na Ucrânia, provocou boicotes e protestos de grupos como Pussy Riot e FEMEN. O júri de premiação renunciou pela primeira vez na história do evento. A solução foi deixar o público votar nos melhores pavilhões.
Entre as atrações mais comentadas está o pavilhão austríaco, comandado por Florentina Holzinger. Na instalação Seaworld Venice, os visitantes são convidados a urinar em banheiros conectados a um sistema que filtra e bombeia a água limpa para aquários onde performers flutuam por até quatro horas, respirando com máscaras de mergulho. As filas para participar têm sido enormes.
Festival de Cannes 2026: por que o cinema hollywoodiano ficou de fora? 🎬
Onde? CNN 📰
Quando? 12/05/2025 📅O Festival de Cannes abriu sem nenhum grande blockbuster americano, algo raro na história recente do evento. Os únicos diretores dos EUA na competição são Ira Sachs, com The Man I Love, e James Gray, com Paper Tiger, ambos financiados majoritariamente fora do país. Depois de fracassos recentes em festivais, como Coringa Delírio a Dois em Veneza e Indiana Jones em Cannes, os estúdios passaram a evitar o risco de uma recepção negativa.
A mudança também reflete uma crise maior em Hollywood, marcada pela greve dos roteiristas de 2023, os incêndios em Los Angeles em 2025 e o desinteresse dos estúdios pelo cinema de autor. Sem Hollywood no centro, Cannes volta a destacar nomes consagrados do cinema internacional como Pedro Almodóvar, Asghar Farhadi, Hirokazu Kore-eda e Ryusuke Hamaguchi.
Paulinho da Costa recebe estrela na Calçada da Fama e agradece ao Brasil ⭐️
Onde? G1 📰
Quando? 13/05/2025 📅O percussionista carioca Paulinho da Costa recebeu sua estrela na Calçada da Fama de Hollywood, tornando-se a primeira pessoa nascida no Brasil a receber a homenagem. Ao final do discurso, emocionado, agradeceu os brasileiros em português: “Essa estrela não é só minha, essa estrela é nossa.”
Criado no bairro de Irajá, no Rio de Janeiro, e formado musicalmente nas rodas de samba da Igreja da Penha e na escola de samba Portela, Paulinho se radicou nos Estados Unidos nos anos 1970 e passou a colaborar com os maiores nomes do pop mundial, de Michael Jackson e Madonna a Stevie Wonder e Miles Davis. Foi ele quem introduziu a cuíca em Wanna Be Startin’ Somethin’ e o agogô em Billie Jean, levando instrumentos de raiz africana e brasileira para alguns dos álbuns mais vendidos da história.
Legal ou brega? Por que os “sapatos feios” estão dominando 2026 👞
Onde? BBC 📰
Quando? 13/05/2025 📅Os sapatos feios estão dominando a moda em 2026. Crocs, botas de sapo, tênis com dedos e os chamados Frankenshoes — híbridos bizarros como o snoafer (tênis + mocassim) e a sneakerina (tênis + sapatilha) — estão por toda parte.
A explicação para o fenômeno vai além da estética. Usar um sapato errado ou inesperado virou forma de sinalizar personalidade, humor e fluência cultural. Um contraponto à perfeição das redes sociais. Os híbridos também refletem fronteiras cada vez mais borradas entre trabalho e lazer, moda e funcionalidade, luxo e utilidade. E, no fim das contas, há também uma razão bem simples: muitos desses sapatos esquisitos são extremamente confortáveis.
Será este é um autorretrato de William Turner? Um estudioso tem dúvidas 🤔
Onde? Artnet 📰
Quando? 14/05/2025 📅O único autorretrato conhecido do pintor britânico J.M.W. Turner, pode não ser de sua autoria. Pelo menos é isso o que o historiador de arte James Hamilton defende. Para ele, a obra seria de John Opie, renomado retratista britânico e admirador de Turner. Sua tese se apoia nas semelhanças estilísticas, especialmente o uso dramático de iluminação, marca registrada de Opie, e no fato de que o quadro destoa completamente da produção de Turner, mais conhecida por paisagens e tempestades.
A confusão de autoria teria uma explicação histórica. Após a morte de Turner em 1851, suas obras foram disputadas judicialmente por familiares e doadas ao Estado. O retrato chegou ao Tate Museum em 1910 e, ao longo de 175 anos, foi tacitamente aceito como um autorretrato, embora nas listas originais constasse apenas como “retrato de Turner”, nunca como “autorretrato”. O Tate reconheceu a pesquisa de Hamilton e afirmou estar aberto a explorar suas conclusões.
Quem é o dono destas obras de arte? Um museu espera que os visitantes possam ajudar a descobrir 🔍
Onde? The New York Times 📰
Quando? 14/05/2025 📅O Musée d’Orsay inaugurou uma sala permanente com 13 obras, entre pinturas de Pierre-Auguste Renoir, Edgar Degas e uma escultura de Auguste Rodin, cujos donos originais ainda são desconhecidos. As peças fazem parte de um grupo de obras roubadas ou vendidas à força durante a Segunda Guerra Mundial e recuperadas depois do conflito. O museu agora pede ajuda do público para tentar identificar os proprietários.
A França foi criticada durante décadas pela lentidão na restituição de obras saqueadas, mas acelerou os esforços nos últimos anos. O museu planeja rotacionar as obras expostas para que mais peças sob sua custódia sejam vistas na esperança de que alguém as reconheça.












