Em tempo! Está no ar mais um Boletim Pirado. Esta edição contém nossos achados da primeira quinzena de julho. Por se tratar de um periódico humanamente feito, às vezes surgem alguns atrasos 😅
O ketchup de tomate Heinz e o doce sabor do domínio de mercado 🍅
Onde? The Economist 📰
Quando? 02/07/2025 📅O ketchup Heinz permanece um produto estável desde 1876, vendendo mais de 650 milhões de garrafas anuais. Embora o produto tenha origem asiática no ke-tsiap, um molho fermentado de peixe, foram as versões americanas com tomate que se consolidaram no século XIX. Essas variantes, no entanto, enfrentavam um problema crítico: eram aguadas e estragavam facilmente.
A Heinz resolveu isso usando tomates maduros, vinagre para inibir micróbios e garrafas de vidro para sinalizar qualidade superior. O resultado foi um ketchup versátil, com equilíbrio entre doçura e umami que funciona em distintos lanches. Sua permanência no mercado, contudo, deve muito ao marketing que o consolidou como marca padrão. Apesar de centenas de alternativas disponíveis, muitos consumidores não abrem mão da velha marca. E para você, “tem que ser Heinz”?
Martin Margiela, um dos designers mais influentes da moda, leva seu arquivo pessoal a leilão ✂️
Onde? The New York Times 📰
Quando? 05/07/2025 📅Martin Margiela, figura reclusa que deixou a moda em 2009 sem nunca ter dado mais que uma entrevista presencial, voltou aos holofotes por meio de um leilão realizado em Paris com quase 200 peças de seu arquivo pessoal. A venda abrange esboços do início dos anos 1980 até seu período como primeiro diretor criativo de moda feminina da Hermès, incluindo roupas, catálogos, convites e fotografias que o próprio designer selecionou com anotações pessoais.
A iniciativa partiu do próprio Margiela, motivado pelo sucesso inesperado de um leilão anterior em 2025 que arrecadou cerca de € 1,89 milhão, dez vezes mais que o esperado. Sem herdeiros, o designer viu nessa venda uma forma de gerir seu legado diante do interesse crescente por suas criações.
Boa notícia! A Terra não será engolida pelo Sol 🌍
Onde? Wired 📰
Quando? 06/07/2025 📅Um novo estudo publicado na Astronomy & Astrophysics contraria a expectativa predominante entre astrofísicos de que a Terra seria engolida pelo Sol daqui a cerca de 5 bilhões de anos, quando a estrela esgotar seu hidrogênio e se expandir na fase de gigante vermelha. O destino do planeta depende de um cabo de guerra entre dois efeitos opostos: enquanto a perda de massa do Sol por meio de ventos estelares tende a afastar a órbita da Terra, o atrito com o envoltório gasoso expandido e as forças de maré tendem a puxá-la para dentro. Até agora, acreditava-se que as forças de maré prevaleceriam, levando a um espiral orbital que terminaria na vaporização completa do planeta.
O novo estudo, baseado em modelos aprimorados de dissipação de maré e perda de massa solar, sugere que esse efeito de maré seria menos eficaz do que se pensava, enquanto observações da gigante vermelha L2 Puppis indicam que o Sol pode perder massa suficiente para que esse fator predomine, o que empurraria a órbita terrestre para fora e aumentaria as chances de sobrevivência do planeta.
A animação é um caso-teste para o avanço da IA em Hollywood 🎬
Onde? The Atlantic 📰
Quando? 07/07/2025 📅A indústria do entretenimento enfrenta um período de instabilidade agravada pela adoção crescente de inteligência artificial. Animadores, artistas de efeitos visuais e ilustradores de storyboard estão entre os profissionais mais afetados. Grandes estúdios já apostam na tecnologia como parte central do processo criativo. A Lionsgate firmou parceria com a startup Runway para treinar modelos com seu próprio acervo, a Netflix adquiriu a empresa de Ben Affleck voltada a ferramentas de IA e a Amazon MGM Studios lançou um fundo específico para financiar projetos que incorporem essas tecnologias. O resultado tem sido a redução de oportunidades para artistas tradicionais. A Marvel demitiu boa parte do departamento de desenvolvimento visual e tarefas antes destinadas a iniciantes já são realizadas por IA.
No dia a dia, concept artists passam mais tempo corrigindo erros de imagens geradas por IA do que desenvolvendo ideias originais, já que a tecnologia produz resultados visualmente atraentes, porém tecnicamente inviáveis para produção real. Diante disso, profissionais alertam que a qualidade tende a se diluir à medida que o público se acostuma com produções geradas por IA, ameaçando os detalhes sutis que tornam um personagem memorável.
Holanda e Alemanha concordam em devolver 2 mil artefatos a Gana ⚖️
Onde? ARTnews 📰
Quando? 08/07/2025 📅Alemanha e Holanda anunciaram durante a conferência Next Steps em Accra, a devolução de 2 mil artefatos culturalmente significativos a Gana, incluindo objetos cerimoniais e vestimentas tradicionais. O encontro, organizado pelo presidente ganês John Dramani Mahama, foi resposta à declaração da ONU que classificou o tráfico de escravizados e a escravidão racializada como “o crime mais grave contra a humanidade”.
O anúncio integra pressão crescente de Gana sobre nações europeias pela devolução de bens saqueados. Em 2024, uma exposição no Palácio Manhyia reuniu objetos da cultura asante repatriados após um século e meio no exterior. A Holanda intensifica essas restituições. Em 2025, o país europeu devolveu 113 bronzes do Benin à Nigéria e, após a inauguração do Grande Museu Egípcio em Gizé, anunciou a devolução de um busto faraônico de 3.500 anos ao Egito.
A história do rosto humano é mais do que aparência 🧑
Onde? The Economist 📰
Quando? 09/07/2025 📅Em The Face, a historiadora cultural Fay Bound-Alberti percorre milênios para argumentar que a forma como o interpretamos um rosto é moldada por sistemas de crenças, línguas e contextos culturais. Seu interesse no assunto tem origem pessoal. A autora convive com prosopagnosia, condição neurológica conhecida como cegueira facial. O livro mostra como, desde a Grécia Antiga, quando Pitágoras supostamente escolhia discípulos pela aparência de inteligência, até civilizações como Roma e Pérsia, o rosto foi associado a status moral e social, levando inclusive à mutilação facial como forma de punição, um estigma que persiste até hoje na cultura popular, como nos vilões de James Bond marcados por cicatrizes e deformidades.
Bound-Alberti aponta que, até o Renascimento, a identidade das pessoas era definida por papel social, família e fé, não pela individualidade do rosto, mudança que só ocorreu com a explosão do retrato artístico. A popularização dos espelhos e, depois, da fotografia aprofundou essa obsessão coletiva com a própria imagem, transformando o rosto em expressão definidora da identidade pessoal.
Netflix, Sony e Paramount estariam de olho na compra do Letterboxd 🍿
Onde? Hypebeast 📰
Quando? 12/07/2025 📅Netflix, Sony Pictures e Paramount Skydance avaliam a compra do Letterboxd, rede social voltada para cinema. A holding canadense Tiny, que controla 60% da plataforma, busca vendê-la por até US$ 250 milhões. Os cofundadores Matthew Buchanan e Karl von Randow mantêm os 40% restantes e seguem nas operações. Há também outros interessados na compra, como Alexis Ohanian, cofundador do Reddit.
A plataforma cresceu de 6,5 milhões para 30 milhões de usuários desde agosto de 2022, com 10 milhões de novos usuários apenas no último ano. No entanto, uma possível venda a um grande estúdio já preocupa os críticos, que temem conflitos de interesse em um espaço de avaliações e descoberta de filmes. Os fundadores originais afirmam que estarão envolvidos em qualquer decisão sobre o futuro da empresa.
A morte dos jogos físicos — e por que isso importa 🎮
Onde? Financial Times 📰
Quando? 13/07/2025 📅A Sony anunciou que encerrará a produção de discos físicos de jogos e adotará modelo exclusivamente digital a partir de 2028. A justificativa é econômica: 80% das vendas já são digitais e a empresa lucra mais ao reter margens que iam para fabricantes e varejistas. Capcom e Nintendo relatam tendência semelhante, e Rockstar confirmou que Grand Theft Auto VI sairá sem edição física. O PlayStation 6, previsto para o fim de 2028, provavelmente não terá leitor de disco.
A revolta dos jogadores ultrapassa a nostalgia. O fim das mídias físicas elimina revenda, empréstimo entre amigos e compra de usados, reforçando um modelo em que consumidores apenas licenciam acesso sem realmente possuir nada. Há ainda uma outra questão. Enquanto discos permitiam preservação indefinida com um console funcional, títulos digitais dependem de lojas online, como evidencia o fechamento recente das lojas do PS3 e PS Vita.
E se a madeira usada para fazer instrumentos musicais se tornasse ilegal? 🎻
Onde? The New York Times 📰
Quando? 14/07/2025 📅O pernambuco, madeira brasileira usada há séculos na fabricação de arcos de instrumentos de corda, enfrenta um futuro incerto. Em 2025, o governo brasileiro propôs ampliar as proteções internacionais junto à CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas), o que ameaçava provocar apreensões em massa nas alfândegas e abalar a indústria de turnês orquestrais. Após pressão de fabricantes de arcos e músicos ao redor do mundo, o Brasil aceitou um meio-termo e passou a exigir permissões governamentais rígidas para a maior parte da atividade comercial internacional envolvendo pernambuco. O tema deve voltar à pauta na próxima reunião da CITES, em 2028.
Paradoxalmente, os próprios fabricantes de arcos são hoje os maiores defensores da conservação, promovendo replantio em larga escala e rastreamento de origem para combater um mercado paralelo que já gerou apreensões de mais de 150 mil arcos e multas superiores a 10 milhões de dólares. Apesar da existência de alternativas como a fibra de carbono, a maioria dos músicos profissionais ainda considera o pernambuco insubstituível.
Músicas inéditas de David Bowie de 1965 serão lançadas — incluindo faixas com Jimmy Page na guitarra 🎧
Onde? The Guardian 📰
Quando? 15/07/2025 📅Uma coletânea intitulada David Bowie: The Shel Talmy Recordings, com lançamento previsto para 18 de setembro, reunirá gravações inéditas de 1965, época em que Bowie ainda atuava sob o nome Davy Jones, antes de adotar seu nome artístico definitivo em 1966. Nesse período, muito anterior ao estouro com Space Oddity em 1969 e à criação do alter ego Ziggy Stardust em 1972, Bowie fazia um pop-rock influenciado por blues e ocasionalmente psicodélico, alinhado à cena londrina dos anos 1960.
As gravações foram produzidas por Shel Talmy, figura influente do rock dos anos 1960. Jimmy Page, então guitarrista de sessão antes de fundar o Led Zeppelin, participou das gravações como integrante da banda Manish Boys, que dava suporte a Bowie; o pianista Nicky Hopkins, que também tocou com Rolling Stones e Beatles, igualmente contribuiu. O material, apesar de não antecipar a ruptura estética que definiria a carreira posterior de Bowie, é apresentado nas notas do encarte como um capítulo legítimo e complementar de sua trajetória artística.












